Existe uma diferença grande entre a empresa que pendura um mapa de risco na parede para “cumprir tabela” e a que usa esse documento como ele foi pensado: uma fotografia visual dos perigos de cada setor, capaz de orientar decisões de prevenção e proteger a organização de passivos trabalhistas.
Se você é responsável por SST, RH ou pela CIPA, provavelmente já se fez três perguntas: o mapa de risco ainda é obrigatório, como elaborá-lo corretamente e o que muda com as atualizações recentes das Normas Regulamentadoras. É exatamente isso que este artigo responde.

*Representação figurativa de um mapa de riscos corporativo. Não contém informações reais de nenhuma organização.
O que é o mapa de risco no trabalho?
O mapa de risco no trabalho é a representação gráfica dos riscos ambientais existentes nos diferentes setores de uma empresa. Na prática, é uma planta ou croqui do local de trabalho sobre o qual são desenhados círculos coloridos, indicando onde estão os perigos, de que tipo eles são e qual a sua intensidade.
A lógica é simples e visual: cada cor representa um grupo de risco, e o tamanho do círculo indica a gravidade ou intensidade daquele risco no ambiente. Assim, qualquer pessoa, do colaborador novo ao auditor, consegue entender rapidamente onde estão os pontos críticos de cada área.
O mapa não é um documento isolado. Ele costuma ficar afixado em local visível do setor e é elaborado com a participação da CIPA, a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, que tem papel central na identificação dos riscos junto aos trabalhadores.
Resumo rápido
- O que é: representação gráfica dos riscos ambientais por setor da empresa.
- Como funciona: círculos coloridos cujo tamanho indica a intensidade do risco.
- Cores: cinco grupos de risco, cada um com uma cor padronizada.
- Quem faz: elaborado com a participação da CIPA (onde houver).
- Onde se encaixa: conecta-se ao programa de gerenciamento de riscos da empresa (PGR).
- Para que serve: prevenção de acidentes, comunicação visual do risco e conformidade legal.
O mapa de risco é obrigatório? O que diz a legislação?
Historicamente, o mapa de risco era previsto como exigência expressa na NR-9, dentro do antigo PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais). Com a reformulação das Normas Regulamentadoras, o PPRA foi substituído pelo PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos), no contexto do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) tratado pela NR-1.
Isso significa que a forma como o mapa de risco é exigido e tratado pode ter mudado em relação ao texto antigo. Por esse motivo, verifique na redação vigente da NR-1 e das NRs aplicáveis ao seu setor se o mapa de risco permanece como obrigação expressa, ferramenta recomendada ou item atrelado ao PGR, antes de afirmar de forma categórica que ele “é obrigatório por lei”. As regras também variam conforme o porte da empresa e grau de risco da atividade.
Na prática, independentemente do enquadramento formal, o mapa de risco continua sendo uma ferramenta amplamente utilizada e esperada em auditorias, fiscalizações e na rotina da CIPA. E a identificação dos riscos que o embasa permanece obrigatória dentro do PGR.
Quais são os tipos e cores do mapa de risco?
Os riscos ambientais são tradicionalmente organizados em cinco grupos, cada um associado a uma cor padronizada. A tabela abaixo resume os grupos, suas cores e exemplos:

Cada grupo tem uma cor própria, e o tamanho do círculo desenhado sobre a planta comunica a intensidade: círculos maiores indicam riscos mais graves ou de maior exposição. Quando há mais de um risco no mesmo ponto, o círculo pode ser dividido em frações coloridas.
Como elaborar um mapa de risco passo a passo?
Fazer um mapa de risco da empresa de forma correta envolve método. Um caminho prático:
- Conheça o processo de trabalho de cada setor. Levante o que se produz, com quais equipamentos, insumos e número de trabalhadores expostos.
- Identifique os riscos por ambiente. Com a participação da CIPA e dos próprios trabalhadores, classifique os perigos nos cinco grupos.
- Avalie a intensidade de cada risco. Defina se é leve, médio ou alto, com base na exposição e na gravidade potencial.
- Desenhe a planta do local. Use o layout real de cada setor como base.
- Posicione os círculos coloridos. Aplique a cor do grupo e o tamanho proporcional à intensidade do risco em cada ponto.
- Valide com a CIPA e com o responsável técnico de SST. O mapa deve refletir a realidade e estar alinhado ao PGR.
- Afixe em local visível e mantenha atualizado. Revise sempre que houver mudança de processo, layout ou novos riscos.
O segredo está no passo 2 e no passo 6: o mapa só tem valor real quando a identificação dos riscos é técnica e participativa, e não um desenho feito de memória.
Quem é responsável por fazer o mapa de risco?
A elaboração do mapa de risco é uma responsabilidade compartilhada, com protagonismo da CIPA. A comissão participa ativamente do levantamento dos riscos, justamente por reunir representantes dos empregados e do empregador que conhecem a rotina de cada setor.
Esse trabalho, porém, deve ser feito com o suporte técnico do Serviço de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT), quando a empresa é obrigada a tê-lo, ou de profissionais de SST contratados. A responsabilidade final pelo cumprimento das obrigações de saúde e segurança, no entanto, é sempre do empregador.
Em empresas sem CIPA constituída (por porte ou grau de risco), a identificação dos riscos continua sendo necessária dentro do PGR e fica a cargo do responsável técnico designado.
Qual a relação entre mapa de risco, PGR e PPRA?
Essa é uma das maiores confusões hoje, então vale separar os termos:
- PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais): documento substituído. Era previsto na antiga NR-9 e abrigava o mapa de risco. Hoje deve ser tratado apenas em contexto histórico pois não está mais vigente como programa.
- PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos): o documento que substituiu o PPRA, dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) da NR-1. É nele que os riscos da empresa são identificados, avaliados e tratados.
- Mapa de risco: a representação visual desses riscos por setor. Ele se apoia na mesma identificação de riscos que alimenta o PGR.
Ou seja: o PGR é o “cérebro” (a análise técnica e o plano de ação), e o mapa de risco é uma das formas de comunicar visualmente o que o PGR identificou. Eles trabalham juntos.
O que acontece se a empresa não tiver mapa de risco?
A ausência de identificação e comunicação adequada dos riscos, incluindo a falta do mapa de risco quando exigido, pode expor a empresa a autuações em fiscalizações do trabalho e a passivos trabalhistas, especialmente em casos de acidente ou doença ocupacional, quando se questiona se o risco era conhecido e sinalizado.
Mais do que a multa em si, o risco maior costuma ser o passivo: a empresa que não consegue demonstrar que identificou, avaliou e comunicou os riscos fica em posição frágil em ações trabalhistas e processos de responsabilização.
Como garantir um mapa de risco em conformidade?
Para que o mapa de risco cumpra seu papel e proteja a empresa, ele precisa estar:
- Tecnicamente correto, com riscos bem identificados e classificados;
- Integrado ao PGR, e não como peça solta;
- Atualizado a cada mudança relevante de processo ou ambiente;
- Validado pela CIPA e pelo responsável de SST;
- Visível e compreensível para os trabalhadores.
Na prática, a forma mais segura de garantir tudo isso é estruturar a gestão de SST de ponta a ponta, do PGR à elaboração do mapa de risco, com apoio especializado, evitando lacunas que só aparecem na hora da fiscalização ou de um acidente.
Precisa estruturar ou atualizar o PGR e o mapa de risco da sua empresa? Fale com um especialista da BR MED e mantenha sua organização em conformidade com a legislação vigente.
Perguntas frequentes sobre mapa de risco
- O mapa de risco é obrigatório por lei?
A exigência mudou com a substituição do PPRA pelo PGR (NR-1). A identificação dos riscos continua obrigatória dentro do PGR, mas o enquadramento formal do mapa de risco e eventuais dispensas dependem da NR vigente, do porte e do grau de risco da empresa.
- Quais são as 5 cores do mapa de risco e o que significam?
São cinco grupos, cada um com uma cor: riscos físicos (verde), químicos (vermelho), biológicos (marrom), ergonômicos (amarelo) e de acidentes/mecânicos (azul).
- O que cada tamanho de círculo representa no mapa de risco?
O tamanho do círculo indica a intensidade do risco naquele ponto: quanto maior, mais grave ou mais intensa a exposição.
- Quem deve elaborar o mapa de risco da empresa?
É elaborado com a participação da CIPA, com suporte técnico do SESMT ou de profissionais de SST. A responsabilidade final é do empregador.
- Qual a diferença entre mapa de risco, PGR e PPRA?
O PPRA foi substituído pelo PGR (NR-1). O PGR identifica e trata os riscos; o mapa de risco é a representação visual desses riscos por setor. Eles se complementam.
- Empresa pequena precisa de mapa de risco?
Depende do porte e do grau de risco da atividade. Algumas obrigações têm graduações para microempresas e empresas de pequeno porte.
- Onde o mapa de risco deve ficar afixado?
Em local visível do setor a que se refere, de modo que os trabalhadores consigam consultá-lo facilmente.
- Mapa de risco e CIPA: qual a relação?
A CIPA participa diretamente da elaboração do mapa, ajudando a identificar os riscos de cada ambiente junto aos trabalhadores.
Conclusão
O mapa de risco no trabalho continua sendo uma ferramenta central de prevenção e de comunicação dos perigos de cada setor, mesmo após as mudanças que substituíram o PPRA pelo PGR. Saber elaborá-lo corretamente, integrá-lo ao PGR e mantê-lo atualizado é o que separa o cumprimento real da conformidade aparente.
Se a sua dúvida era “como fazer o mapa de risco da empresa e quando ele é obrigatório”, a resposta passa por uma gestão de SST bem estruturada. Fale com um especialista da BR MED e garanta que sua empresa esteja protegida e em conformidade.




