De acordo com uma pesquisa recente da Zenklub, um dado alarmante veio à tona: 93% das empresas operam sob alto risco psicossocial associado à exigência excessiva de concentração, atenção e memória no trabalho, um fator diretamente ligado à sobrecarga mental. Este número não é apenas uma estatística; é um reflexo de um ambiente corporativo que chegou ao seu limite e um sinal de alerta que o mundo do trabalho não pode mais ignorar.
Nesse cenário, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) surge como uma resposta direta e inadiável. Com a fiscalização punitiva programada para começar em maio de 2026, a adequação deixa de ser uma opção e se torna uma necessidade estratégica. Empresas que ainda não estruturaram seus processos de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), especialmente no que tange aos fatores psicossociais, estão correndo contra o tempo.
Este artigo é um guia prático para gestores de RH, líderes e profissionais de SST que entendem que a conformidade com a NR-1 vai muito além de preencher documentos. Trata-se de uma oportunidade para reestruturar a cultura organizacional, proteger o capital humano e transformar a Segurança e Saúde no Trabalho em uma poderosa vantagem competitiva.
O que realmente mudou? Desvendando a nova NR-1
A principal e mais impactante mudança trazida pela NR-1 é a inclusão obrigatória dos fatores de risco psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Se antes a Segurança do Trabalho era predominantemente associada a riscos físicos, químicos e biológicos, agora a legislação reconhece formalmente que a saúde mental é um pilar indispensável de um ambiente de trabalho seguro.
Mas o que são, na prática, esses fatores de risco psicossociais? São as características do trabalho que afetam a saúde mental, emocional e social dos colaboradores. A norma cita, por exemplo:
- Exigências excessivas de trabalho: Metas irreais, pressão por produtividade e jornadas extensas.
- Falta de autonomia: Pouco controle sobre como e quando as tarefas são realizadas.
- Relações interpessoais precárias: Conflitos, assédio moral ou sexual e falta de apoio dos colegas e da liderança.
- Insegurança no trabalho: Medo constante de demissão ou mudanças abruptas.
Essa mudança estabelece uma conexão direta com a NR-17 (Ergonomia), que trata da adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores. A nova NR-1 exige que a análise ergonômica vá além do mobiliário e da postura, abrangendo a organização do trabalho como um todo, que é a principal fonte dos riscos psicossociais.
Isso significa que a forma como o trabalho é distribuído, as metas são definidas e as relações são conduzidas passam a ser objeto de análise técnica e obrigatória.
Os pilares da conformidade na prática: um checklist essencial
Para estar em conformidade, não basta conhecer a norma; é preciso implementá-la de forma estruturada. Abaixo, detalhamos os pilares que sua empresa precisa ter solidamente construídos:
1. Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) robusto
O PGR é o coração do GRO. Ele não pode ser um documento genérico, comprado pronto e guardado na gaveta. Para ser eficaz e válido perante a fiscalização, o PGR deve conter, no mínimo, um Inventário de Riscos e um Plano de Ação.
O inventário precisa ser específico, detalhando todos os perigos identificados — incluindo os psicossociais — por função e setor, e o plano de ação deve estabelecer medidas claras, com prazos e responsáveis, para eliminar ou mitigar esses riscos.
Um PGR bem elaborado é a prova documental de que a empresa está comprometida com a prevenção.
2. Avaliação de riscos psicossociais (além da pesquisa de clima)
Um dos maiores erros é confundir a avaliação de riscos psicossociais com uma pesquisa de clima. Enquanto a pesquisa de clima mede a percepção e a satisfação, a avaliação exigida pela NR-1 é um diagnóstico técnico que utiliza metodologias cientificamente validadas, como o questionário COPSOQ (Copenhagen Psychosocial Questionnaire).
O objetivo não é saber se o colaborador está feliz, mas identificar as causas organizacionais que podem levar ao adoecimento, como demandas excessivas, falta de clareza de papéis ou baixo apoio social. Essa distinção é fundamental para que a empresa não caia na armadilha de acreditar que está em conformidade quando, na verdade, está apenas medindo o termômetro sem tratar a febre.
3. Documentação obrigatória e organizada
A fiscalização opera com base em evidências. É fundamental manter toda a documentação de SST organizada, atualizada e de fácil acesso. Isso inclui o PGR, o PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional), os relatórios da AEP (Análise Ergonômica Preliminar) e da AET (Análise Ergonômica do Trabalho), os registros de treinamentos e as listas de presença.
A desorganização documental pode levar a multas, mesmo que as ações de prevenção tenham sido executadas. Mais do que isso, a documentação organizada facilita a gestão interna e demonstra maturidade na governança de SST.
4. Processos de comunicação e escuta ativa
A NR-1 determina que as empresas devem estabelecer procedimentos para que os trabalhadores possam informar sobre situações de risco. Isso se traduz na necessidade de canais de denúncia eficazes e seguros, que garantam o anonimato e a não retaliação. Além disso, a comunicação deve ser uma via de mão dupla: a empresa precisa informar os colaboradores sobre os riscos aos quais estão expostos e as medidas de controle adotadas.
A transparência fortalece a confiança e engaja os trabalhadores no processo de prevenção, tornando-os aliados e não meros espectadores.
5. Fluxos de monitoramento contínuo (o ciclo do GRO)
O Gerenciamento de Riscos Ocupacionais não é um projeto com início, meio e fim. É um ciclo contínuo de melhoria, baseado no modelo PDCA (Planejar, Fazer, Checar e Agir). O ambiente de trabalho é dinâmico, e o PGR deve ser revisado periodicamente (a cada dois anos, ou sempre que ocorrerem mudanças significativas) para garantir que as medidas de controle continuem eficazes e para identificar novos riscos que possam ter surgido.
Empresas que tratam o GRO como uma tarefa pontual estão fadadas a descobrir, tarde demais, que seus documentos estão defasados e suas práticas, ineficazes.
O custo da inércia: os riscos de não estar em conformidade
Ignorar a urgência da NR-1 é uma aposta de alto risco. As consequências vão muito além das multas, que podem ser pesadas e variam conforme o porte da empresa e a gravidade da infração. A falta de conformidade pode gerar passivos trabalhistas milionários, danos irreparáveis à reputação da marca empregadora e uma queda vertiginosa na produtividade, causada pelo aumento do absenteísmo e do presenteísmo.
Hoje, a NR-1 é uma resposta de socorro para um cenário de adoecimento coletivo, e Ignorá-la é fechar os olhos para a realidade e colocar em risco o maior ativo de qualquer organização: suas pessoas.
A estratégia certa para a conformidade: o papel do Roadmap de Adequação BR MED
Diante da complexidade e da urgência do cenário, muitas empresas cometem o erro de buscar atalhos, uma abordagem que não apenas é ineficaz, como também é perigosa. A verdadeira conformidade não está em um documento, mas em um processo de gestão vivo e contínuo.
É exatamente para evitar essa armadilha que a BR MED desenvolveu o NR-1: Roadmap de Adequação. Diferente de soluções superficiais, nossa metodologia não se limita a entregar um documento. Nós implementamos uma filosofia de gestão que transforma a maneira como a sua empresa enxerga e pratica a Saúde e Segurança no Trabalho.
Nossa abordagem foi desenhada para evitar o erro mais comum: começar pelo fim. Em vez de simplesmente atualizar papéis, iniciamos com um diagnóstico técnico e profundo para entender a realidade da sua operação. O objetivo do Roadmap não é apenas “checar uma caixa” para a fiscalização, mas construir um sistema de gestão sustentável que realmente funcione. Ele capacita sua empresa com as ferramentas e o conhecimento necessários para uma gestão de riscos proativa e contínua, integrando as áreas de RH, SST e Jurídico em uma visão unificada.
Ao adotar uma abordagem estratégica desde o início, garantimos que cada ação seja eficaz, evitando o desperdício de tempo e recursos com medidas que não atacam a causa raiz dos problemas. O resultado é a tranquilidade de uma empresa juridicamente segura, a certeza de um ambiente de trabalho que promove o bem-estar e a transformação da SST em um pilar de produtividade e vantagem competitiva.




