A contagem regressiva começou: faltam menos de três meses para que a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) entre em plena vigência. A partir de 26 de maio de 2026, a inclusão dos fatores de risco psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) se tornará uma exigência fiscalizável em todas as empresas do país. A mudança, oficializada pela Portaria MTE nº 1.419/2024, representa uma das mais significativas evoluções na legislação de saúde e segurança do trabalho das últimas décadas, exigindo uma adaptação que vai muito além da simples atualização de documentos.
Para muitas organizações, a nova regra parece um desafio complexo. Fatores como estresse, burnout, assédio e sobrecarga de trabalho, antes frequentemente confinados às discussões do RH, agora demandam uma abordagem técnica, integrada ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). A boa notícia é que a adequação não precisa ser um processo traumático. Com um roteiro prático e metodologias eficientes, é possível transformar essa obrigação legal em uma oportunidade estratégica para construir um ambiente de trabalho mais seguro, saudável e produtivo.
Este artigo apresenta um passo a passo para preparar sua empresa, desde o diagnóstico inicial até o monitoramento contínuo, garantindo uma conformidade sustentável e eficiente.
O que mudou e por que a urgência?
A principal alteração da NR-1 é a obrigatoriedade de identificar, avaliar e controlar os riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Isso significa que o PGR da sua empresa, que já contempla riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos, deverá agora incluir uma análise sistemática de aspectos relacionados à organização do trabalho, às relações interpessoais e à saúde mental dos colaboradores.
Embora um período educativo esteja em vigor desde maio de 2025 para facilitar a adaptação, o prazo final para a conformidade plena está se esgotando. A partir de 26 de maio de 2026, a fiscalização do trabalho poderá autuar empresas cujo PGR não contemple adequadamente esses novos riscos. Ignorar a mudança não é uma opção e pode resultar em passivos trabalhistas, aumento do Fator Acidentário de Prevenção (FAP) e, claro, um impacto negativo no bem-estar e na produtividade das equipes.
Um roteiro prático para a adequação em 4 passos
Adequar-se à nova NR-1 exige um processo estruturado. Tentar começar pela atualização de papéis, sem um entendimento claro da realidade da empresa, é o erro mais comum e perigoso. A seguir, apresentamos um roteiro lógico para uma transição segura e eficaz.
Passo 1: diagnóstico da situação atual
Antes de qualquer ação, é fundamental entender onde sua empresa está. O primeiro passo é realizar um diagnóstico técnico e aprofundado dos seus documentos e processos atuais. Analise seu PGR e seu Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) em busca de lacunas. Eles já mencionam, mesmo que indiretamente, fatores ligados ao estresse ou à organização do trabalho? Os dados de absenteísmo e afastamentos por transtornos mentais estão sendo correlacionados com as condições de trabalho?
Essa análise inicial, que pode ser comparada a um “scanner” da saúde e segurança da sua organização, evita o retrabalho e direciona os esforços para onde eles são realmente necessários. O objetivo é criar um mapa claro do ponto de partida, identificando o que já existe e o que precisa ser construído.
Passo 2: mapeamento e avaliação dos riscos psicossociais
Com o diagnóstico em mãos, o próximo passo é aprofundar a investigação. É aqui que a Análise Ergonômica Preliminar (AEP), conforme orienta a NR-17, ganha um papel central. Essa avaliação deve ser expandida para incluir os riscos psicossociais, utilizando ferramentas e metodologias reconhecidas, como o questionário COPSOQ (Copenhagen Psychosocial Questionnaire), para medir a percepção dos trabalhadores sobre o ambiente laboral.
O mapeamento deve ser um processo 360º, investigando pilares como:
- Processo e organização do trabalho: Cargas de trabalho, ritmo, pausas, clareza das tarefas.
- Autonomia e controle: Nível de liberdade que o colaborador tem para tomar decisões sobre seu próprio trabalho.
- Segurança psicológica e apoio social: Qualidade das relações com líderes e colegas, existência de canais seguros para relatar problemas e cultura de feedback.
- Recompensa e reconhecimento: Percepção de justiça e valorização pelo esforço dedicado.
Essa fase é crucial para transformar percepções subjetivas em dados concretos, permitindo a identificação clara dos perigos e a avaliação da severidade dos riscos.
Passo 3: elaboração do plano de ação
Uma vez que os riscos psicossociais são identificados e avaliados, é hora de definir como eles serão controlados. O plano de ação é o coração do seu novo PGR. Ele deve detalhar as medidas de prevenção que serão implementadas, os responsáveis por cada ação, os prazos e os indicadores de sucesso.
As medidas devem seguir uma hierarquia de controle, priorizando ações que eliminem o risco na fonte. Por exemplo, em vez de apenas oferecer palestras sobre gestão do estresse (medida de controle no indivíduo), o plano pode prever a revisão de metas, a redistribuição de tarefas ou a implementação de um novo software para otimizar o fluxo de trabalho (medidas de controle na organização).
Em casos onde a Análise Ergonômica Preliminar aponte riscos complexos, pode ser necessária uma Análise Ergonômica do Trabalho (AET), conduzida por uma equipe multidisciplinar que pode incluir psicólogos, para aprofundar a investigação e refinar o plano de ação.
Passo 4: implementação e monitoramento contínuo
Com o plano de ação definido, a fase final é a sua execução e o monitoramento dos resultados. É neste momento que os documentos obrigatórios, como o PGR e o PCMSO, são formalmente atualizados para refletir a nova realidade da gestão de riscos da empresa.
Contudo, a adequação não termina na atualização do papel. O processo de gerenciamento de riscos é cíclico. É essencial monitorar continuamente a eficácia das medidas implementadas, acompanhar os indicadores de saúde mental (como taxas de afastamento e resultados de pesquisas de clima) e revisar o PGR anualmente ou sempre que ocorrerem mudanças significativas no ambiente de trabalho. A participação dos trabalhadores, através da CIPA e de outros canais de diálogo, é fundamental para o sucesso desse monitoramento.
Uma abordagem inteligente: o Roadmap de Adequação da BR MED
Entendemos que, para muitas empresas, navegar por essas etapas pode parecer desafiador. Foi pensando em simplificar essa jornada e garantir uma adequação estratégica que a BR MED desenvolveu o NR-1: Roadmap de Adequação, uma metodologia que transforma a conformidade legal em um processo de melhoria contínua.
O grande diferencial da nossa abordagem é a sua natureza modular e flexível. Reconhecemos que cada empresa tem uma realidade única. Por isso, não oferecemos um pacote fechado. Primeiro, nossa equipe de especialistas ouve e diagnostica o seu cenário para, então, propor a solução que se encaixa perfeitamente nas suas necessidades. Cada fase do nosso Roadmap funciona como uma entrega completa por si só.
Isso significa que sua empresa pode começar do ponto que faz mais sentido, seja realizando um diagnóstico do zero ou aprofundando uma análise já iniciada, com a segurança de que cada passo agrega valor real. Nosso objetivo é claro: guiar sua organização por um caminho eficiente e sem complicações, garantindo não apenas a conformidade com a NR-1, mas a construção de um ambiente de trabalho genuinamente mais saudável e seguro.




